repertencer.

nesses novos/velhos caminhos tenho pensado muito sobre o repertencimento. meus trabalhos andavam interessados em tocar em assuntos como apropriação e pertencimento, o que de uma certa maneira falava do ponto de vista do que é estrangeiro, dos p…

nesses novos/velhos caminhos tenho pensado muito sobre o repertencimento.

meus trabalhos andavam interessados em tocar em assuntos como apropriação e pertencimento, o que de uma certa maneira falava do ponto de vista do que é estrangeiro, dos primeiros contatos com o novo.
mas o engraçado é que eu nunca havia parado para pensar o quão constante são estes exercícios quando o deslocamento é uma condição permanente. nada fica no lugar, nem eu, nem os lugares, suas arquiteturas e pessoas, mesmo que tudo ‘se’ acredite que sim. embora belo horizonte seja a minha cidade natal tenho a sensação de que vivo na ficção do se instala na memória, tanto na minha própria quanto na dos outros, dos mais aos menos íntimos. ou mais ainda no que é do terreno da imaginação, a ficção do que era quando não estava ali. fico pensando em estratégias de não me perder nisso tudo, de me manter atenta e curiosa, mesmo diante das repetições.
há, precisamente, 7 anos eu não pratico o balé clássico. quando parei, eu me disse que não o faria mais, não faria porque não encontrava sentido. durante os anos da graduação eu basculei entre achar uma maravilha e um absurdo o fato de não se praticar esta técnica de modo obrigatório. atualmente tenho revisitado este treinamento, em aulas na cia seráquê?, e é muito desafiador me “recolocar” neste contexto, repertencer sem que seja pelo caminho do que era antes, do que era o meu entendimento de corpo, de experiência e de dança. porque “a tal memória corporal” reativa tudo, de boas lembranças às doces violências, cheiros, expectativas, tudo. mas pode ser mais simples, ou leve, ou superficial, parece que é se deixar levar um pouco pelo abdômen, pela flexibilidade, pelo contratempo da cabeça; mas é inevitável pensar que ao praticá-lo eu estou também praticando uma visão de corpo, um corpo, uma política. acho tudo isso muito contraditório, o que me faz pensar que se deslocar é acima de tudo estar disposta à lidar com diferenças, que às vezes são a própria contradição, é de um modo criativo transformar estas revisitas em algo ainda mais sobreposto, acumulado. 
como inserir esta camada=balé na minha vida de agora. 

Scan0005Scan0006
Vlcsnap-2011-05-08-22h32m10s46

Autor: Ana Pi

Artiste chorégraphique et de l’image, chercheuse en danses urbaines, danseuse contemporaine et pédagogue. Ana Pi est diplômée de l’École de Danse de l’Université Fédérale de Bahia – Brésil, où elle étudie la pédagogie et la création en danse contemporaine. En 2009-10, elle étudie la danse et l’image au Centre Chorégraphique National de Montpellier – France, au sein de la formation EX.E.R.CE sous la direction de Mathilde Monnier. La circulation, le décalage, l’appartenance, la superposition, la mémoire, les couleurs, les actions ordinaires et le geste sont des matières vitales à sa pratique créative et pédagogique. Son travail s’inscrit principalement dans le cadre de collaborations avec d’autres artistes sur des projets de multiples natures et durées. Actuellement, elle est conférencière et performeuse sur le sujet des danses urbaines, sa démarche a été présentée aussi bien au Brésil, qu’en Europe et, plus récemment, en Afrique. Brasil / 1986 ⇔ France / 2016 Artista coreográfica e da imagem, pesquisadora das danças urbanas, dançarina contemporânea e pedagoga. Ana Pi é graduada pela Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia – Brasil, em 2009/10 ela estuda a dança e a imagem no Centre Chorégraphique National de Montpellier – França, formação EX.E.R.CE, sob a direção de Mathilde Monnier. Trânsito, deslocamento, pertencimento, sobreposição, memória, cores, ações ordinárias e gesto são matérias vitais à sua prática criativa e pedagógica. Seu trabalho se apresenta principalmente no âmbito de colaborações com outras/os artistas em projetos de naturezas e durações diversas. Atualmente, ela palestra e performa sobre danças urbanas, suas apresentações foram realizadas tanto no Brasil, quanto na Europa e, mais recentemente, em África.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s